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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A explosão da linguagem

Antes mesmo de falar, as crianças já se comunicam
com os pais por meio de olhares, gestos e sorrisos
Por que as meninas andam, falam e aprendem antes dos meninos?
Não há conclusões definitivas, mas suspeita-se que sejam fatores hormonais que variam com o sexo. O desenvolvimento tende a se igualar na pré-adolescência
Não importa que seja em português, inglês, árabe ou japonês. O processo de desenvolvimento da linguagem nas crianças é invariavelmente o mesmo. Sempre a mesma impressionante viagem rumo ao conhecimento. Uma viagem que começa desde os primeiros minutos de vida do ser humano. Recém-nascidos com apenas 4 dias de idade conseguem distinguir os sons de uma língua dos sons de outra. Bebês brasileiros mamam melhor quando ouvem alguém falando português do que falando espanhol. E os espanhóis fazem o oposto. É assim no mundo todo, em todas as cerca de 10.000 línguas existentes no mundo. A aquisição de vocabulário de uma criança está diretamente ligada ao quanto a mãe fala com ela. Com 1 ano e 8 meses, filhos de mães que conversam bastante em casa falam 130 palavras a mais do que outros na sua idade. Com 2 anos, a diferença é de quase 300 palavras. Mães que usam sentenças complexas, não se restringindo só ao bi-bi e au-au, têm filhos que também falam de forma mais complexa.
Como a criança só será capaz de dizer o primeiro "mamãe" ou "papai" perto dos 12 meses de vida, até conseguir isso ela se vira muito bem com uma grande ferramenta que tem para expressar ao mundo o que sente ou quer: seu corpo. Usa o que os estudiosos chamam de linguagem não-verbal. Observe. Toda vez que seu bebê chora, dá um sorriso, faz uma expressão facial, emite sons, se balança dentro do berço ou vira a cabeça para o lado, ele está se comunicando. Está conseguindo, com eficiência, dizer algo que, nessa fase, é demonstrar prazer ou desprazer. "Essa é a fase em que o corpo fala", diz a psicóloga Maria Martha Hübner, da Universidade Mackenzie, em São Paulo. O que a criança pequena faz é operar com o princípio do "tudo ao mesmo tempo, agora".
Como num sistema multimídia, em que som, imagem e movimento facilitam a compreensão, ela usa todos os órgãos dos sentidos para receber e mandar mensagens. "O bebê vive e expressa a emoção no próprio corpo. Se ele sente um desprazer, o choro é a forma de dizer isso", explica a psicóloga paulista Ceres Alves de Araujo. Por meio do olhar da mãe, da entonação de voz, da expressão facial, das pausas na fala do adulto, ele entende as coisas à sua volta. Os órgãos do sentido funcionam como um radar. "O bebê não entende o conceito da frase falada, mas sabe o que está por trás disso", diz Ceres. Ele percebe a diferença de ser chamado com uma voz suave ou ríspida, ser pego no berço de modo carinhoso ou apressado, ou ter a fralda trocada por alguém com cara amarrada ou sorriso aberto. Em resposta, a criança usa recursos corporais como sorrir, franzir o cenho, mexer as mãos ou até abrir um berreiro.
Os bebês não chegam ao mundo falando porque o cérebro do ser humano não nasce suficientemente maduro para isso. São necessários meses até a criança ser capaz de entender conceitos, fazer relações mais complexas e treinar os sons das sílabas. Todo o tempo passado no berço emitindo ga-gás, la-lás e ne-nês serve de treino para que, na hora de juntar os sons e formar as palavras, a comunicação seja perfeita. Quem olha o bebê falando apenas sílabas pode ser tentado a imaginar que ele está sofrendo para expressar uma idéia, como um adulto que tenta falar uma língua estrangeira mas tem dificuldade. Nada disso. A criança está feliz demais ao perceber a própria evolução, ao constatar que faz hoje um pouco mais do que fazia ontem. Não lamenta o que ainda não consegue fazer. O processo de aprendizado é extremamente divertido e prazeroso.

Por que uma criança muito estimulada pode tornar-se um adulto desorganizado?
Porque, na tentativa de estimular seus filhos, os pais montam uma agenda repleta de compromissos. Quando, no futuro, couber à criança tomar as decisões sobre o que fazer, ela ficará sem saber por onde começar
As primeiras palavras aprendidas pela criança são as mais próximas do seu universo — por isso ela diz mamãe, papai e nenê. Nada é decorado. A criança aprende o que lhe foi ensinado, o que lhe parece fazer sentido. Antes de falar uma palavra, precisa identificar uma relação entre o nome e seu significado. Para entender melhor o que isso quer dizer, imagine-se num país de língua estranha. De repente, um cachorro passa na sua frente e alguém grita "isvertan!". O que isso quer dizer? A resposta mais óbvia seria "cachorro". Mas existem outras alternativas possíveis, como "Isvertan" ser o nome do animal, uma expressão de susto com o surgimento do cão ou uma ordem dada aos bichos para que corram. No processo mental da criança, enquanto ela não tirar essa dúvida, a palavra pode até ser proferida, mas não terá sentido algum. Quando ela perceber o que "isvertan" realmente quer dizer, estará aumentando o seu vocabulário.
O desenvolvimento da linguagem da criança guia-se por uma ordem que vai do genérico para o específico. Num primeiro momento, todos os seres que se mexem, mas não são humanos, podem ser chamados de au-au, se é esta a expressão usada pelos pais diante dela para designar cachorro. Depois, a criança percebe que existe um tipo de au-au que voa. Surge o piu-piu. E assim ela vai batizando o que vê, aplicando nomes que ouve a itens específicos. Para cada coisa, a criança tem um nome, sem direito a sinônimo. Se existe uma xícara e o pai se refere a ela como caneca, a criança não vai entender do que se fala. Os sinônimos vão fazer parte da linguagem no final do segundo ano de vida. Para conhecer o mundo e seus nomes, a criança questiona tudo ao seu redor. Por volta dos 2 anos explode a onda de "o que é isso?" e, aos 3 anos, de "por quê?".
No campo de estudos em torno da comunicação infantil há uma grande dúvida se a relação entre mãe e filho na fase intra-uterina pode ser chamada de comunicação ou se é uma troca biológica. Experiências com recém-nascidos de 48 horas de vida mostraram que eles ficavam calmos quando ouviam a língua materna e tornavam-se tensos ao som de um idioma estrangeiro, o que poderia sugerir que a aquisição da linguagem começa na barriga da mãe. Os trabalhos nessa área mostraram que falar é uma atividade inata que depende menos do que se imagina de fatores como educação, origem étnica, geográfica ou cultural. Uma pesquisa divulgada neste ano por duas psicólogas da Universidade de Chicago comprovou que a aquisição de linguagem é genética. O que a educação faz é torná-la mais complexa e sofisticada. Isso foi demonstrado analisando-se crianças surdas-mudas americanas e chinesas de 3 anos de idade. Elas nunca tinham tido contato com a linguagem escrita, só se comunicavam por gestos e eram mais eficientes nisso que as próprias mães com quem trocavam sinais. Colocadas diante de frascos com bolhas de sabão, tanto americanas quanto chinesas tiveram os mesmos gestos e na mesma ordem. Ou seja, reagiram da mesma forma independentemente da origem, e fizeram aquilo sem ter sido ensinadas por ninguém. "A aquisição de linguagem em seres humanos é tão natural quanto o latir para os cachorros", disse a psicóloga americana Lisa Gleitman, da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano, num encontro da Associação Americana de Ciência Avançada.
A velocidade com que uma criança aprende a falar é impressionante. Do primeiro para o segundo ano de vida acontece um boom, no qual, segundo cientistas da Universidade de San Diego, nos Estados Unidos, a criança passa de um repertório de quarenta palavras no primeiro aniversário para, em média, 600 no segundo. Daí para a frente não pára mais de aprender a falar. É verdade que o ritmo vai ficando menos intenso e varia muito entre as pessoas. Mas, de acordo com estudos americanos, incorporamos novas palavras ao nosso vocabulário até os 30 anos, quando dominamos entre 80.000 e 100.000 termos — a língua portuguesa tem cerca de 400.000 palavras. Depois disso, diminuímos o ritmo, provavelmente porque as palavras mais comuns já foram aprendidas. O fato é que, tendo aprendido a falar, uma criança não terá só dominado a forma mais complexa e perfeita que o ser humano tem para se expressar. Terá adquirido um mecanismo que, desde nossos remotos ancestrais, serve de arma para a sobrevivência do homem. "Somos frágeis fisicamente diante de outras espécies e a linguagem foi nossa ferramenta para trocar informações e conhecimentos sobre como dominar a natureza", explica a psicolingüista Leonor Scliar, da Universidade Federal de Santa Catarina. 

Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais/bebes/p_036.html

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